
Medidas determinadas pelo ministro André Mendonça envolvem suspeita de lavagem de dinheiro ligada a suposto esquema no INSS
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas e apreensões e a quebra do sigilo de dados telefônicos, exclusivamente para localização por Estações Rádio-Base (ERBs), do advogado Willer Tomaz de Souza e de outras oito pessoas. As medidas fazem parte da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF), que apura suspeita de lavagem de dinheiro da qual o senador Weverton Rocha (PDT-MA) seria beneficiário. A decisão foi tomada na Petição (Pet) 16435.
Operação Sem Desconto
Segundo a PF, a investigação busca esclarecer se recursos relacionados a possível esquema de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foram ocultados ou movimentados por meio de pessoas físicas e jurídicas, bens e outros ativos. Também é analisada a possível atuação política do senador nos descontos associativos aplicados sobre benefícios previdenciários, bem como movimentações patrimoniais desde 2023.
A PF investiga ainda movimentações relacionadas a empresas contratadas por prefeituras do Maranhão, empresas da construção civil, agentes políticos locais e contratos públicos municipais.
De acordo com a investigação, Weverton Rocha teria atuado na indicação de beneficiários, cobrança de pagamentos, acompanhamento de repasses, negociação de imóveis, entre outras decisões. Willer Tomaz de Souza, sócio dos escritórios de advocacia Willer Tomaz Advogados Associados e Aragão e Tomaz Advogados Associados, é apontado como integrante do núcleo de sustentação do suposto esquema, com vínculos com empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos.
Outros investigados
A Polícia Federal também aponta o envolvimento, com funções distintas, de Fayla Zulmira Menezes; Frederico de Abreu Silva Campos; Daniel de Faria Jerônimo Leite; e Erlânio Furtado Luna Xavier, sócio de Weverton.
Ainda são citados Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, esposa do senador; Anna Catarina Viana Rocha, filha; Geyse Rocha Linhares, irmã; e Shainess Kellmassen Rocha Marques de Souza, irmã do parlamentar.
Decisão
Ao autorizar as medidas, o ministro André Mendonça considerou necessária a busca de dispositivos eletrônicos, comunicações, agendas, controles financeiros, documentos societários e patrimoniais, procurações, certificados digitais, registros de pagamentos, comprovantes e contratos.
As buscas também poderão alcançar informações sobre as empresas WT Administração, JOTA Comunicação, Jet Line e outras sociedades apontadas como integrantes do núcleo investigado, além de documentos sobre aeronaves, pilotos, hangares e eventual disponibilidade de dinheiro em espécie.
Para o relator, as diligências poderão esclarecer a atuação de cada investigado. Mendonça determinou que as buscas se limitem a registros financeiros, contratos, comprovantes, comunicações e documentos administrativos relacionados aos fatos investigados e às pessoas que são alvo das medidas.
Confira a íntegra da decisão.

