
Exercer a advocacia no Brasil tornou-se um exercício diário de indignação. Longe do glamour dos discursos acadêmicos e do luxo dos gabinetes, a realidade da advocacia militante é marcada por um triplo pesadelo: instalações indignas, a soberba de parte da magistratura e a paralisia covarde de nossa própria entidade de classe.
1. Fóruns Sucateados e a Farsa da Eficiência Digital
A infraestrutura do Judiciário brasileiro é uma afronta à dignidade do profissional e do cidadão. O que os tribunais vendem como “Justiça 4.0” nada mais é do que uma maquiagem cara sobre um sistema em ruínas:
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Prédios Insalubres: Estruturas físicas caindo aos pedaços, banheiros impróprios, falta de acessibilidade elementar e ambientes de trabalho que beiram o desrespeito sanitário.
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Sistemas do Caos: Plataformas digitais (PJe, e-SAJ, Projudi) que desmoronam diariamente. O sistema “cai”, os prazos sufocam o advogado, a responsabilidade é empurrada para a classe e a eficiência não passa de uma peça ficcional.
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Atendimento Robotizado: Varas esvaziadas sob o pretexto do trabalho remoto, onde obter uma simples informação transforma-se em uma peregrinação por e-mails ignorados e canais de atendimento inúteis.
2. O Arbítrio com Toga: A Violência Burocrática do “Deus-Juiz”
A Constituição diz que não há hierarquia entre advogados, magistrados e promotores, mas a prática diária escancara um feudalismo judiciário sufocante:
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Prerrogativas Pisoteadas: O direito legal de despachar com o juiz virou uma “concessão divina” concedida a pingo de conta — quando não é sumariamente negada por assessores que atuam como filtros insuperáveis.
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O Autoritarismo Banalizado: Audiências transformadas em palcos de vaidade e truculência verbal, onde a altivez do advogado é punida com desrespeito, interrupções grosseiras e abusos de poder mascarados de “autoridade”.
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Morosidade Criminosa: Liminares de saúde e pedidos urgentes esquecidos por semanas em telas de computador. A vida e o patrimônio do cidadão aguardam a boa vontade de quem nunca sentiu na pele a urgência do mundo real.
3. A OAB S.A.: O Silêncio Cúmplice e o Abandono da Classse
O cenário atinge esse nível de degradação por um motivo simples: quem deveria nos blindar preferiu a politicagem ao combate. A OAB transformou-se em uma instituição distante, anestesiada e politicamente higienizada:
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Notas de Repúdio Não Garantem Direitos: Diante de abusos flagrantes, a Ordem responde com notas burocráticas e vazias. Falta coragem para protocolar representações disciplinares duras no CNJ e combater os abusadores pelo nome.
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Diplomacia de Gabinete: A cúpula da entidade prioriza a “boa vizinhança” e os jantares cordiais com os tribunais em vez de impor o respeito devido aos advogados que enfrentam a lama do dia a dia forense.
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Mercantilização da Anuidade: O advogado autônomo e de pequeno porte é lembrado apenas no dia de pagar a anuidade. Na porta do fórum, diante do sistema fora do ar ou do juiz truculento, ele descobre que está completamente sozinho.
A Verdade Indigestamente Clara:
Ajoelhar a advocacia é mutilar a própria democracia. Quando um advogado é apequenado, desrespeitado ou impedido de trabalhar com dignidade, quem vai para a vala é o direito do cidadão. Resgatar a dignidade da nossa profissão exigirá menos diplomacia de evento e mais coragem de confronto.

